A tristeza que transpiro não se compara á dor que sinto, desculpa, eu fui a culpada, não te queria mal, desculpa a dor que te causei, o sofrimento, não queria que morresses daquela maneira e ainda por cima por minha causa.
Tenho saudades dos teus olhos cor de mel, do teu pelo preto, de quando brincavas comigo, de quando me sujavas de lama, quando me derrubavas, quando ladravas e parecia que dizias: “Vem cá, quero-te perto de mim”. “ Quero miminhos teus.”, de quando no inicio eu me chegava ao pé de ti e tu fugias e te escondias naquele buraco debaixo da madeira e agora tudo isso desapareceu, e a culpa é minha.
A tua teimosia e a minha estupidez mataram-te, mesmo com a corrente saltastes para o quintal do vizinho, na primeira vez tinhas corrente suficiente e eu fui-te buscar, à segunda também e sabes que para aprenderes te dei umas quantas palmadas, mas à terceira eu não estava lá e tu não voltaste, na segunda vez a pensar que iria fazer o melhor para ti meti-te a corrente mais curta para não saltares e afinal só fiz o pior, só te causei essa aflição que nem imagino como foi, a minha mãe e o meu irmão bem disseram para eu não deixar tão pouca corrente para ti, se fossem mais uns 5 centímetros tinhas sobrevivido…
Nem acreditei quando a minha mãe me ligou quase a chorar a dizer que tinhas morrido enforcada pela corrente no quintal do vizinho, eu quando soube fiz um silêncio sinistro para não chorar, mas as lágrimas saíram com tanta força que o sofrimento de culpa e de perda se alastrou pelo meu corpo como veneno, fui imediatamente ter com ela, só pensava em ti e em como te perdi.
A minha mãe disse que também chorou a tua perda, quanto ela te viu foi a correr para dentro de casa a chorar, ela também se sentiu culpada por ter dito para diminuir a corrente, e claro que também chorou pela tua perda, já todos estávamos muito afeiçoados a ti.
Lembraste de quando eu me sentava a teu lado a dizer que para o ano iríamos para a nossa casa, aquela que a minha mãe teve de alugar? E quando eu desabafava contigo, mesmo sendo tu uma cadela parecia que me ouvias e que conseguias sentir o que eu estava a sentir naquele exacto momento.
Nem acredito que morreste, para mim eras mais que uma simples cadela, eras tu, única.
E mais magoada comigo fico sabendo que estavas grávida, não te matei só a ti, mas também os teus filhos, tu deves de me odiar por tudo o que te fiz, mas eu amo-te e peço-te desculpa, nunca pensei que irias saltar de novo, desculpa!
Descansa em paz.
13 de Setembro de 2010

